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Um guia de como errar ao expandir para Portugal.

  • liliane moura
  • 21 de jul.
  • 12 min de leitura

Atualizado: 22 de jul.

Liliane Moura observando o comportamento do consumidor em Lisboa durante pesquisa sobre internacionalização de marcas e adaptação cultural.

Muitas empresas brasileiras iniciam a expansão para Portugal convencidas de que se trata de um dos mercados internacionais mais simples de conquistar. A proximidade linguística, os laços históricos e a forte presença da comunidade brasileira reforçam a ideia de que a adaptação será quase automática. É justamente essa sensação de familiaridade que costuma dar origem a alguns dos erros mais comuns nos processos de internacionalização.


Na prática, Portugal é um mercado europeu, com um ambiente regulatório, uma dinâmica competitiva e um comportamento de consumo bastante diferentes dos brasileiros. Embora compartilhem o mesmo idioma, brasileiros e portugueses atribuem valores distintos às marcas, respondem a códigos culturais próprios e constroem relações de consumo influenciadas por contextos económicos e sociais específicos. Ignorar essas diferenças pode comprometer o posicionamento da marca, gerar perdas financeiras e limitar o sucesso da expansão.


O problema, portanto, não está em considerar Portugal uma porta de entrada natural para a Europa. Em muitos casos, essa é uma estratégia consistente. O equívoco surge quando essa proximidade é interpretada como sinônimo de simplicidade, levando à ideia de que bastará replicar a operação brasileira para conquistar o mercado português.

Na prática, a expansão de marcas para Portugal exige muito mais do que encontrar consumidores para um produto que já teve sucesso no Brasil. É necessário compreender como esse produto será percebido, apresentado e inserido em um novo contexto cultural. Afinal, uma marca não compete apenas pela qualidade da sua oferta, mas também pela forma como comunica valor, constrói confiança e se torna relevante para as pessoas.


Ao longo deste artigo, apresento algumas ideias recorrentes entre empresas brasileiras que chegam ao mercado português. Elas não estão totalmente erradas. O problema é que, quando tomadas como verdades absolutas, acabam escondendo fatores que costumam determinar o sucesso — ou o fracasso — de uma estratégia de internacionalização de marcas.


Erro n.º 1 - Portugal é uma extensão do Brasil


Portugal pode, de fato, ser considerado um caminho natural para a internacionalização de empresas de língua portuguesa — e não apenas do Brasil. O idioma em comum, determinadas referências culturais e os laços históricos criam uma sensação legítima de proximidade. A partir daí, é comum surgir a convicção de que a adaptação necessária será pequena, inclusive na comunicação e no posicionamento das marcas.


Essa percepção não nasce de um equívoco completo. Existem afinidades reais entre os dois países e elas podem, inclusive, facilitar os primeiros passos da operação. O problema é que essa proximidade tende a tornar menos visíveis as diferenças. Como elas não são imediatamente evidentes, muitas empresas só percebem sua importância quando a estratégia já está em andamento.


É por isso que empresários experientes, mesmo habituados a processos de expansão, por vezes têm dificuldade em identificar a origem de determinados obstáculos. O produto parece adequado, a comunicação é compreendida e existe procura pelo segmento. Ainda assim, a operação não cresce na velocidade esperada, a marca encontra resistência para construir relevância e os resultados ficam abaixo das projeções iniciais.


Quando esses sinais começam a aparecer, decisões importantes já foram tomadas. Investimentos foram realizados, campanhas foram lançadas e posicionamentos foram definidos. Só então se percebe que as semelhanças entre Brasil e Portugal não eliminam diferenças profundas na forma como consumidores interpretam mensagens, avaliam credibilidade e constroem relações com as marcas.


O idioma ilustra bem essa realidade. Brasileiros e portugueses comunicam-se sem grandes dificuldades, mas não utilizam exatamente a mesma língua na prática. O sotaque, a escolha das palavras, o tom de voz, o ritmo da comunicação e até a forma de argumentar carregam significados culturais que são rapidamente percebidos pelo consumidor português.


Isso não significa que uma marca deva esconder sua origem brasileira. Pelo contrário. A brasilidade pode funcionar como um elemento de diferenciação, proximidade ou identidade cultural. No entanto, essa decisão precisa fazer parte de uma estratégia de marca internacional, e não ser apenas consequência da reprodução automática da comunicação utilizada no Brasil.


O verdadeiro desafio da adaptação de marcas para Portugal não é abandonar a identidade da empresa, mas decidir conscientemente o que deve ser preservado, o que precisa ser ajustado e qual papel a origem brasileira desempenhará na construção do posicionamento da marca. Em outras palavras, internacionalizar não significa deixar de ser quem se é. Significa compreender como continuar sendo reconhecido e valorizado em um contexto diferente.



Erro n.º 2 — Exportar a estratégia, e não apenas o produto.


Muitos produtos não falham por falta de qualidade ou pela ausência de público. Falham pela maneira como são posicionados. Ao entrar em um novo país, não basta que a oferta seja competitiva; é preciso compreender como ela será percebida por consumidores que possuem outras referências culturais, outras expectativas e outra forma de construir confiança. É justamente essa diferença de percepção que explica por que um produto bem-sucedido em um mercado pode encontrar dificuldades em outro.


Cultura, valores, hábitos de consumo, ritmo de decisão, relação com as marcas e expectativas em relação ao atendimento variam significativamente entre a América Latina e a Europa. Por isso, uma estratégia de branding para expansão internacional não deve começar apenas com a pergunta "Existe mercado para este produto?". Ela também precisa investigar como esse mercado define qualidade, quais fatores influenciam a confiança, que linguagem aproxima o consumidor e quais argumentos realmente pesam na decisão de compra. O que transmite proximidade em um país pode parecer exagerado ou pouco profissional em outro.


Esse exercício está no centro do multicultural marketing e do cross-cultural branding. O desafio não é criar uma marca diferente para cada mercado, mas compreender como a mesma identidade pode preservar sua essência enquanto dialoga com códigos culturais distintos. Internacionalizar uma marca significa equilibrar consistência global e relevância local, reconhecendo que a percepção de valor nunca é construída da mesma maneira em todos os contextos.


No Brasil, consumidores costumam responder positivamente a campanhas mais emocionais, comunicação intensa, lançamentos frequentes e estímulos promocionais. Também estão mais habituados ao parcelamento e à negociação das condições de pagamento, inclusive em categorias como moda, beleza e serviços. Esses elementos fazem parte da dinâmica do mercado brasileiro e influenciam a forma como as empresas apresentam seus produtos e estruturam seus argumentos comerciais.


Em Portugal, por outro lado, observa-se, de maneira geral, um comportamento de compra mais cauteloso. Antes de decidir, o consumidor tende a pesquisar, comparar preços e reduzir o risco da escolha. Transparência, previsibilidade, simplicidade nos processos e controle sobre a experiência de compra costumam ter um peso relevante na construção da confiança e da credibilidade da marca.


Isso não significa que o consumidor brasileiro seja apenas emocional ou que o consumidor português seja exclusivamente racional. Generalizações desse tipo pouco ajudam a compreender mercados. O ponto central é outro: os códigos utilizados para despertar desejo, justificar uma compra e transmitir confiança não são necessariamente os mesmos. Estratégias que funcionam muito bem em um contexto podem perder força quando transportadas para outro sem qualquer adaptação.


É justamente nesse momento que o cultural insight se torna um recurso estratégico. Mais do que identificar o que as pessoas compram, é preciso compreender por que compram, como justificam essa decisão e quais sinais utilizam para avaliar se uma empresa merece confiança. Sem essa leitura, torna-se fácil interpretar diferenças culturais como preferências individuais, quando, na realidade, elas refletem padrões coletivos de comportamento.


Desenvolver um bom consumer insight em Portugal exige observar o consumidor dentro do seu próprio contexto cultural. Traduzir uma campanha, substituir algumas palavras ou converter preços para euros raramente é suficiente. O verdadeiro desafio consiste em compreender como aquele mercado interpreta a proposta de valor da marca e quais elementos contribuem para que ela seja percebida como relevante e credível.


Na maioria dos casos, empresas brasileiras não enfrentam dificuldades em Portugal porque oferecem um produto inferior. Enfrentam dificuldades porque continuam apresentando esse produto como se ainda estivessem falando exclusivamente com o consumidor brasileiro. Os portugueses entendem o idioma, conhecem — e muitas vezes apreciam — a cultura brasileira. Mas isso não significa que os mesmos códigos de comunicação produzam os mesmos efeitos.


Erro n.º 3 — Internacionalizar é traduzir literalmente. 


É nesse ponto que conceitos como brand localization e market localization deixam de ser termos técnicos e passam a orientar decisões estratégicas. Embora frequentemente utilizados como sinônimos, eles representam dimensões diferentes da adaptação de uma marca durante o processo de internacionalização.


A brand localization concentra-se na forma como a marca se apresenta ao mercado. Envolve adaptar a comunicação, o tom de voz, as mensagens, a identidade verbal e outros elementos que contribuem para construir relevância dentro de um contexto cultural específico. O objetivo não é alterar a essência da marca, mas garantir que ela seja compreendida e valorizada pelo novo público.


Já a market localization possui um alcance mais amplo. Além da comunicação, pode envolver ajustes na estratégia comercial, na política de preços, nos canais de venda, nos meios de pagamento, na logística, na embalagem, no portfólio, no atendimento e até na operação. Em muitos casos, são justamente essas adaptações que determinam a capacidade de uma empresa competir de forma consistente em um novo mercado.


Ao expandir uma marca para Portugal, pode ser necessário rever o tom de voz, a proposta de valor, os argumentos de venda, o nível de informalidade da comunicação, os canais prioritários, a experiência de atendimento, as expectativas em relação aos prazos, a política de preços e, sobretudo, a maneira como a empresa demonstra credibilidade. Nem todas essas mudanças serão necessárias para todas as marcas, mas ignorar essa possibilidade costuma ser um dos erros mais frequentes nos processos de internacionalização.


O objetivo, portanto, não é transformar uma marca brasileira em uma marca portuguesa. É construir um posicionamento de marca internacional capaz de preservar sua identidade enquanto responde às expectativas culturais, comerciais e comportamentais do novo mercado. A questão central nunca foi escolher entre consistência global e adaptação local. O verdadeiro desafio está em encontrar o equilíbrio entre as duas.


Erro n.º 4 — Pode-se impor um ritmo ao mercado.


As diferenças entre Brasil e Portugal não se manifestam apenas na comunicação ou no comportamento do consumidor. Elas também aparecem no ritmo dos negócios.


Empresários com histórico de sucesso no Brasil, por vezes, acreditam que podem exportar não apenas o produto, mas também a estratégia de marca, o modelo comercial e a velocidade com que conquistaram espaço no mercado de origem. É comum esperar que a marca gere reconhecimento, conquiste clientes e valide a operação em poucos meses. No entanto, essa expectativa raramente corresponde à realidade portuguesa.


Em Portugal, sobretudo nos mercados B2B e nos segmentos de maior valor agregado, a construção de reputação tende a ser mais gradual. A confiança não costuma surgir a partir de uma campanha bem executada ou de uma oferta competitiva, mas da consistência demonstrada ao longo do tempo. Relacionamentos comerciais duradouros, referências de mercado e um histórico sólido frequentemente têm mais peso do que ações promocionais ou estratégias de lançamento.


Esse comportamento também se reflete nas relações B2C. O consumidor português tende a reduzir o risco antes de tomar uma decisão, valorizando empresas que transmitem estabilidade, previsibilidade e credibilidade. Uma marca pode chegar ao país com um excelente produto e, ainda assim, enfrentar resistência simplesmente porque ainda não possui histórico local, parceiros reconhecidos ou sinais suficientes de confiança.


Por essa razão, empresas que planejam a internacionalização de marcas precisam considerar que a fase inicial da operação pode exigir mais tempo do que o previsto. Não estar financeiramente e operacionalmente preparado para esse período de construção de reputação pode comprometer toda a estratégia de expansão.


Em Portugal, confiança também é uma vantagem competitiva. Apenas é construída em outro ritmo.


Erro n.º 5 — Não considerar a geografia.


Outra característica que merece atenção é a dimensão do mercado.


Enquanto o Brasil oferece um potencial de crescimento compatível com uma população superior a 200 milhões de habitantes, Portugal conta com cerca de 11 milhões de consumidores. Trata-se de um mercado interno significativamente menor, com uma escala diferente e uma dinâmica competitiva própria. Naturalmente, isso influencia o potencial de vendas, o ritmo de crescimento e a forma como uma empresa projeta o retorno dos seus investimentos.


Ao mesmo tempo, limitar a análise ao tamanho do mercado português seria um erro. Desde 1986, Portugal integra a União Europeia e faz parte de um mercado único com mais de 440 milhões de consumidores. Para muitas empresas brasileiras, essa é precisamente uma das maiores razões para iniciar o processo de internacionalização pelo país.


Essa oportunidade, porém, vem acompanhada de um aumento significativo da concorrência. Ao entrar em Portugal, uma empresa não disputa espaço apenas com marcas portuguesas. Passa também a competir com organizações de diferentes países europeus, muitas delas consolidadas, altamente especializadas e habituadas às exigências regulatórias e comerciais do mercado europeu.


Em outras palavras, Portugal pode ser um mercado pequeno em população, mas está inserido em um ecossistema económico de grande dimensão. O acesso a esse ambiente representa uma oportunidade estratégica, mas também exige investimento, capacidade de adaptação e uma visão de longo prazo.


As exigências regulatórias fazem parte desse processo. Empresas que pretendem operar no mercado português precisam atender normas relacionadas à proteção de dados, aos direitos do consumidor, à comunicação comercial, ao comércio eletrónico e ao tratamento de informações pessoais, entre outros temas. O Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD) é apenas um dos elementos que devem ser incorporados à operação, ao lado de requisitos relativos à rotulagem, garantias, contratos, devoluções, publicidade e relacionamento com o consumidor.


Por isso, a internacionalização de marcas não pode ser tratada apenas como uma decisão de marketing. Ela envolve estratégia de marca, operação, finanças, logística, enquadramento legal e capacidade de execução. Empresas preparadas para atuar nesse nível de exigência estarão mais bem posicionadas para aproveitar as oportunidades criadas pelo fortalecimento das relações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul.


O que não está errado: Portugal.


Apesar desses desafios, Portugal continua sendo uma das opções mais estratégicas para empresas brasileiras que desejam expandir os seus negócios para a Europa. A proximidade cultural e linguística reduz algumas barreiras iniciais, mas o principal valor do mercado português talvez esteja na experiência que proporciona durante o processo de adaptação.


Ao ajustar processos, comunicação, posicionamento e operação às exigências portuguesas e europeias, a empresa desenvolve competências que poderão facilitar a entrada em outros países da União Europeia. Em muitos casos, Portugal funciona como um verdadeiro laboratório de internacionalização, permitindo testar modelos de negócio, adaptar a proposta de valor, compreender novos padrões de consumo e construir reputação fora do mercado de origem.


Nesse contexto, a comunidade brasileira residente em Portugal pode desempenhar um papel importante. Brasileiros que vivem no país frequentemente tornam-se os primeiros consumidores, parceiros, colaboradores, fornecedores ou promotores da marca, contribuindo para validar a oferta, ampliar a rede de contactos e gerar as primeiras vendas. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal abriga a maior comunidade brasileira da Europa, representando uma parcela significativa da população estrangeira residente.


No entanto, essa comunidade deve ser entendida como uma ponte, e não como o destino final da estratégia. Uma empresa que limita a sua atuação ao público brasileiro pode construir um negócio relevante dentro desse nicho, mas dificilmente desenvolverá uma verdadeira estratégia de expansão de marcas para Portugal.


A comunidade de origem pode abrir portas. O crescimento sustentável, porém, depende da capacidade de dialogar também com o consumidor português, compreender as suas expectativas e construir relevância dentro do mercado local. É essa transição que transforma uma operação internacional numa estratégia consistente de internacionalização de marcas.


A sociedade portuguesa tornou-se progressivamente mais multicultural. Nos últimos anos, o crescimento da imigração transformou o perfil demográfico do país, tornando o mercado mais diverso e, ao mesmo tempo, mais complexo. Para as empresas, esse cenário cria novas oportunidades de crescimento, mas também aumenta a necessidade de compreender públicos com referências culturais distintas e expectativas cada vez mais variadas.


Nesse contexto, o multicultural marketing deixa de ser apenas uma ferramenta de comunicação para assumir um papel estratégico. Marcas que desejam crescer em Portugal podem precisar dialogar simultaneamente com portugueses, brasileiros e consumidores de diversas outras nacionalidades. O desafio, contudo, não consiste em desenvolver uma comunicação diferente para cada grupo, mas em identificar quais valores são universais, quais códigos culturais exigem adaptação e quais elementos da identidade da marca devem permanecer consistentes.


É justamente esse equilíbrio que orienta o cross-cultural branding. Em vez de optar entre padronizar toda a comunicação ou adaptar absolutamente tudo, a empresa procura definir quais aspetos da marca constituem a sua essência e quais podem ser ajustados para aumentar a relevância em cada mercado. Marcas internacionais fortes não abandonam a própria identidade sempre que entram em um novo país. Mas também não esperam que o novo mercado se adapte automaticamente à sua forma de comunicar.


Liliane Moura observando o comportamento do consumidor em Lisboa durante pesquisa sobre internacionalização de marcas e adaptação cultural.

Errado ou quase certo?


Portugal é culturalmente próximo do Brasil. O idioma facilita a entrada, a comunidade brasileira pode apoiar os primeiros passos da expansão e o país representa, de facto, uma das principais portas de entrada para a União Europeia. Nenhuma dessas afirmações está errada.


O problema começa quando essas vantagens são interpretadas como justificativa para reduzir a pesquisa, simplificar o planeamento ou minimizar o investimento necessário para entrar no mercado. A proximidade entre os dois países facilita o início da operação, mas não substitui o trabalho de compreender o consumidor, adaptar a proposta de valor e construir credibilidade junto ao público local.


Do ponto de vista da marca, esse é um dos erros mais frequentes nos processos de internacionalização. Empresas que alcançam resultados consistentes não são necessariamente aquelas que possuem os melhores produtos, mas as que investem tempo para compreender o contexto cultural em que irão competir. Desenvolvem cultural insights, revêem a comunicação, ajustam o posicionamento e constroem relações de confiança antes de acelerar o crescimento.


Uma estratégia consistente de adaptação de marcas para Portugal não exige que a empresa abandone a sua identidade nem esconda a sua origem brasileira. Pelo contrário. O objetivo é transformar essa origem em um ativo estratégico, fazendo com que ela contribua para o posicionamento da marca em vez de limitar a sua capacidade de dialogar com o novo mercado.


No fim, a internacionalização não depende apenas de um bom produto. Depende da capacidade de fazer com que esse produto seja percebido como relevante dentro da cultura em que será inserido. Internacionalizar não é transportar uma marca de um país para outro; é reconstruir a sua relevância dentro de um novo contexto económico, social e cultural.


Empresas que compreendem essa diferença deixam de competir apenas pelo produto. Passam a construir confiança, reputação e crescimento sustentável. Porque, no fim, as marcas não entram apenas em mercados. Entram na cultura.


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